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  • 2011-11-09 | Jornal de Negócios

    Novabase "Temos de estar cá para os bons e os maus momentos"


    Olhar para os custos, mas sem comprometer o futuro, é o desafio assumido pela Novabase. Entrevista a Luís Paulo Salvado, CEO da Novabase.

    - Quanto é que era preciso o internacional crescer para compensar Portugal? 
     
    - Estamos a decrescer 4% globalmente. Não fiz as contas, mas se calhar se crescêssemos 50-55% já compensava. Estamos quase lá. 
     
    - É possível? 
     
    - Essa é a nossa ambição, se bem que os números globais da Novabase não cresçam. Estamos concentrados em crescer rentabilidade. 

    - Que também não está a crescer... 

    - Há uma grande pressão nas margens. Ao haver

    contracção de actividade, há mais concorrência e os preços baixam. Nalguns casos temos de ser flexíveis, se não vamos perder posições. Contrariamos isto com a diferenciação da oferta. Se tivermos uma solução só nossa o cliente está disponível a pagar um premium. Por isso, a Novabase tem feito um grande esforço de investigação e desenvolvimento. No ano passado foram 10 milhões de euros. 

    - Este ano mantém-se? 
     
    - É cedo para dizer. Mas não houve mudança disruptiva. Estamos a adaptar a nossa estrutura a pensar no futuro. Não vale a pena ter uma grande capacidade comercial em Portugal, se não vai haver negócios. Mais vale deslocalizar para países onde podemos ir buscar esses negócios.

  • Estamos a reforçar essa tendência O crescimento de 44% fora de Portugal não é por acaso. 
     
    - Não estão a reduzir o pessoal? 
     
    - Se tivermos pessoas que não conseguimos alocar a projectos, não podemos continuar com elas. Em termos líquidos, estamos a contratar: recém-licenciados, que nos baixa o custo médio de unidade de produção, e para a frente internacional. 
     
    - Hoje em dia vemos muitas empresas a focarem-se na redução de custos. A Novabase não tem essa diminuição. 
     
    - Estamos a tomar medidas para reduzir os custos. 

    Estamos a baixar o custo unitário de produção, que já falei, e há áreas onde temos pessoas que o mercado já não absorve aquele custo e nesses casos temos de endereçar essa situação.

    - Como? Baixar ordenados ou admitem não pagar subsídios, como no público? 
     
    - Esses caminhos não nos estão abertos. Nalguns casos estamos a falar em chegar a acordo com a pessoa para ela seguir a sua vida profissional, noutros casos acumular mais responsabilidades. Não temos uma medida "standard" que apliquemos a toda a gente. Globalmente, estamos a olhar para a estrutura toda de custos e perceber onde podemos ser mais eficientes. Até ao final do ano vamos ter esse trabalho feito, para termos uma Novabase preparada para

    enfrentar os desafios. Um desafio de crescimento lá fora e achamos que pode haver crescimento em Portugal no médio prazo. Estes momentos afectam os "players" mais frágeis, que muitas vezes não sobrevivem, e que deixam mercado para nós conquistarmos.

    - Vai conseguir atingir os objectivos de 230 milhões no volume de negócios e de 14 a 17 milhões de ENTOA? 
     
    - Estou confiante. Fizemos 75% desse valor em Setembro. Estamos em linha no volume de negócios. O quarto trimestre costuma ser bom e pode esperar-se algumas boas notícias no internacional. 
     
    - Sente-se prisioneiro destas metas?

  • - Nós gostamos de cumprir aquilo a que nos propomos. 
     
    - O peso da fiscalidade é grande? Ponderou tirar a sede social do País? 
     
    - A Novabase tem génese em Portugal e temos de estar cá para os bons e maus momentos. Agora, há que ter algum cuidado porque a situação fiscal já atingiu praticamente o limite do suportável. Compreendemos o agravamento fiscal, porque é uma situação de emergência, mas, uma vez ultrapassada, tem de ser reequilibrada. Aplaudimos a manutenção de medidas de apoio à inovação e à criação de emprego.

    - A crise pode proporcionar boas compras. Estão a olhar para empresas?

    - Estamos sempre a olhar e temos uma unidade operacional que tem esse objectivo. Tudo o que sejam entidades que possam trazer clientes ou acesso a tecnologias são áreas potencialmente muito interessantes. Depois há que ver o lado financeiro.

    - Há sectores onde sentem necessidade maior de competências? 
     
    - Estamos a ver áreas onde gostávamos de entrar. As telecomunicações têm uma área de engenharia, onde já temos algumas competências, que para nós faz sentido em parceria ou com outros "players". Noutros sectores, estamos a falar mais em "players" especializados. É tudo uma questão de perceber se se adequa na estratégia e no preço. A Novabase tem condições de fazer negócios e

    poucos "players" têm.

    - Continuam interessados na Empordef ou nas empresas de defesa do Estado? 
     
    - A defesa é para nós interessante e tem sinergias com a área aeroespacial. Continuamos interessados, mas os processos não saíram. 
     
    - A crise torna-vos mais vulneráveis?

    - A Novabase está forte, nunca teve tanto talento e as ideias tão claras sobre o futuro. Tem um núcleo accionista que lhe tem dado estabilidade e está unido em tomo do projecto. Estamos mobilizados, sabemos as dificuldades e estamos convictos que vamos ultrapassá-las. Acredito que

  • o País é muito viável. 
     
    "Internacional é o que pode compensar a queda" 
     
    No curto prazo, a situação em Portugal vai ser "muito difícil" e, por isso, Luís Paulo Salvado, presidente da Novabase, acredita que o "internacional é o que pode compensar". Esta é a estratégia que a empresa tem seguido e, até Setembro, os negócios internacionais cresceram 44%, pesando já 18,7% no volume de negócios da Novabase, ou seja, 32,3 milhões de euros de um total de 172,6 milhões de euros.
     
    "A aposta que fizemos na frente internacional está a ter resultados, um pouco acima do que tínhamos antecipado, e vamos continuar. Contrariamente a Portugal, em que já

    somos grandes para o País, internacionalmente há muito espaço para crescer", assume Luís Paulo Salvado.

    A Novabase tem projectos em 33 países, com a Europa a ter um peso de cerca de 20%. Espanha é o principal país da internacionalização europeia, mas Angola já a ultrapassou como o mercado internacional com maior peso. Sem contar com o mercado português, África fica, assim, como principal geografia internacional, devido a Angola, mas também com um recente negócio em Moçambique, e com o Quénia. A Novabase entrou em força em Angola no início de 2010 com um parceiro local. 

    Os principais sectores que a Novabase serve - telecomunicações e banca - estão em processo de modernização em Angola, o que está a favorecer a

    empresa, explica este responsável.

    Na Europa, "Espanha está a ter dos melhores anos de sempre". Luís Paulo Salvado atreve-se a dar uma explicação: a pressão dos preços está a atenuar a protecção que havia nesse mercado das empresas espanholas. E ganham-se hoje negócios que antes não eram possíveis. 
     
    O presidente executivo da Novabase garante que a empresa está "a ganhar negócio em Espanha com rentabilidade".

    A estratégia de internacionalização da Novabase é feita por dois caminhos: um relacionado com geografias e outro ligado à oferta "Em algumas soluções, sabemos que  

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