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  • 2011-06-09 | OJE

    Medicina do Trabalho contribui para a competitividade das empresas


    É cada vez maior a aposta na prevenção, mais do que no cumprimento de requisitos legais. A Medicina no Trabalho está mais interventiva e os operadores sabem que o seu papel pode constituir uma mais-valia no incremento da produtividade

    "A Novabase tem vindo a apostar na melhoria das condições de trabalho dos colaboradores e isso é visível tanto nas instalações, no ambiente de trabalho como nos equipamentos disponíveis. Estas boas condições são asseguradas por uma manutenção e monitorização constantes, que nos exigem decisões e alterações praticamente todos os dias", reconhece Fátima Nave, associate manager da Novabase. Até 2008, a empresa recorria a serviços externos de Higiene, Saúde e Segurança no Trabalho, mas o crescimento da actividade levou a Novabase a considerar este tipo de serviço insuficiente para responder às suas necessidades e objectivos de protecção dos colaboradores, tendo passado a dispor de serviços próprios de Segurança e Higiene. "Temos agora uma área exclusivamente dedicada a esta matéria que, em colaboração com as áreas de Recursos

    Humanos e da Qualidade, aposta na melhoria contínua das condições de trabalho dos colaboradores, tendo como preocupação de fundo o cumprimento dos requisitos legais e estamos, actualmente, em processo de certificação OSHAS 18001", explica Fátima Nave. "Ao longo destes três anos, devido ao trabalho que tem vindo a ser desenvolvido, a HSST ganhou visibilidade e importância junto dos colaboradores, sentindo-se hoje uma maior proximidade e participação destes em assuntos relacionados com os seus locais e condições de trabalho, tanto nas instalações da Novabase como em clientes. Temos plena consciência de que hoje os nossos colaboradores são mais exigentes porque estão mais informados quanto a estas questões e que não hesitam em participar activamente neste esforço que é comum a toda a Novabase", salienta ainda a responsável da empresa de tecnologias de informação.

  • A evolução na sensibilidade dos empresários para assuntos relacionados com a Medicina e Segurança no Trabalho é notória e reconhecida pela generalidade dos operadores que prestam serviços nesta área. "Temos assistido a uma evolução muito positiva com reconhecimento dos benefícios que a sua acção, baseada nas boas práticas e no melhor conhecimento, pode introduzir na competitividade das empresas e que justificam o investimento", admite João Vilarinho Santos, administrador-delegado da Sagies. "Deve-se notar que, quanto maior é a escala, maior é a visibilidade proporcional das suas vantagens, dado que as evidências de uma medicina preventiva, que esta é, são avaliadas predominantemente por estatística ao tratar de populações laborais", ressalva, no entanto, o responsável da Sagies, que defende até que "uma boa função de Saúde Ocupacional deveria permitir

    uma minoração dos descontos para a Segurança Social e dos prémios de seguros laborais de pessoas e bens pela redução que provoca em custos com baixas por acidente ou doença e em subsídios e indemnizações com reformas por invalidez ou por morte, bem como pela redução risco de incêndio e outros fenómenos destrutivos semelhantes".

    Apesar disso, há ainda um caminho a percorrer no que à cultura de prevenção diz respeito. João Ribeiro, director comercial da Esumedica, admite que "este tipo de questões ainda é encarado pelas empresas essencialmente como um custo decorrente sobretudo de uma obrigação legal", mas ainda assim reconhece que "existe já uma evolução positiva na sensibilidade de alguns empresários, procurando um serviço de maior qualidade e com um âmbito mais abrangente do que o 'estritamente obrigatório'. E o mesmo

    garante que a predisposição dos empresários para investir na prevenção de doenças profissionais é uma realidade em Portugal.

    Paula Amador, directora da Medicisforma, afirma, por seu turno, que "cabe a cada uma das empresas que está e pretende continuar no mercado a responsabilidade de esclarecer os empresários de que as verbas gastas nestas áreas não são um custo, mas um valioso investimento com retorno quase imediato em questões tão importantes para a saúde das empresas como a produtividade, a redução das baixas médicas, a satisfação dos seus recursos humanos, a segurança e saúde".

    E a crise?

  • Pedra na engrenagem desta evolução pode estar a ser a actual crise económica, com impacto directo nas prioridades de empresários e empresas, temendo-se algum desinvestimento na prevenção, sobretudo nas vertentes não obrigatórias. "Dentro do contexto legal e do princípio base de que a saúde não tem preço, não seria de todo o procedimento mais adequado, mas, infelizmente, a realidade já nos aponta para uma tendência de redução de custos também nesta área, inclusive com alguns casos extremos, de cancelamento de serviço", confirma João Ribeiro, da Esumedica. Ainda assim, esta realidade ainda não é sentida por todos os operadores. "Bem pelo contrário, temos sentido que este é um sector em forte crescimento por um cada vez maior esclarecimento dos empresários quanto às obrigações nestas matérias", revela Paula Amador, da Medicisforma. "E é exactamente pela resposta positiva por

    parte dos empresários em contexto de crise, como o que atravessamos, que se torna imperativa a actuação das entidades inspectivas, por forma a obrigar as empresas prestadoras de serviços externos de Saúde e Segurança no Trabalho a uma prestação cada vez mais séria e responsável", acrescenta Paula Amador.

    "Uma instabilidade com a profundidade da que actualmente se vive, em crescendo, na economia e na sociedade provoca impactes não negligenciáveis na saúde da população laborai e na sua motivação/produtividade, num perigoso ciclo vicioso", admite, no entanto, João Vilarinho Santos, da Sagies. E explica este responsável que isso acontece com uma agregação de três factores ou origens adversos: stress pessoal e familiar por si só, stress relacionado com o trabalho e referida redução da vigilância

    das condições ambientais de trabalho e da saúde dos trabalhadores que, por seu lado, tendem a reduzir a atenção na saúde pessoal. "Até podemos considerar natural, dado o impulso humano de sobrevivência mediata, esta reacção na degradação da função de Saúde Ocupacional com eliminação das boas práticas e o aparecimento de fenómenos como o facilitismo, o laxismo e a desregulação ou ausência da fiscalização", admite.

    É neste contexto que Vilarinho Santos aponta a necessidade contrária ao impulso natural. "A função de Saúde Ocupacional, pela sua natureza preventiva, deve merecer um reforço em tempos de grande instabilidade e de grande exigência na eficiência na economia para sustentabilidade do nosso modelo, mesmo estabelecendo-o num nível de conforto alguns degraus abaixo da ambição
  • criada". Vilarinho Santos lembra também que a Saúde Ocupacional é uma área eminentemente preventiva que tem como um dos seus objectivos a eliminação ou minimização dos riscos laborais que são originadores de doenças profissionais. "Há predisposição para investir e é relevante a sua intervenção nas empresas para prevenir a degradação, ou antes, gerir pela antecipação o stock de saúde de uma população, melhorando a sua qualidade e reduzindo os custos de manutenção da mesma", refere, para alegar que "não se pode isolar, nesta matéria, o trabalhador da sua realidade como cidadão que continua a ser e, por isso, há o sentimento de que esta responsabilidade é assumida em nome da Saúde Pública, sendo que, pelo menos em parte, deveria por ela ser patrocinada. Existem empresários que investem nesta área por reconhecerem o seu valor intrínseco e contribuição
    para o sucesso das suas organizações".
     

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