Pedra na engrenagem desta evolução pode estar a ser a actual crise económica, com impacto directo nas prioridades de empresários e empresas, temendo-se algum desinvestimento na prevenção, sobretudo nas vertentes não obrigatórias. "Dentro do contexto legal e do princípio base de que a saúde não tem preço, não seria de todo o procedimento mais adequado, mas, infelizmente, a realidade já nos aponta para uma tendência de redução de custos também nesta área, inclusive com alguns casos extremos, de cancelamento de serviço", confirma João Ribeiro, da Esumedica. Ainda assim, esta realidade ainda não é sentida por todos os operadores. "Bem pelo contrário, temos sentido que este é um sector em forte crescimento por um cada vez maior esclarecimento dos empresários quanto às obrigações nestas matérias", revela Paula Amador, da Medicisforma. "E é exactamente pela resposta positiva por
parte dos empresários em contexto de crise, como o que atravessamos, que se torna imperativa a actuação das entidades inspectivas, por forma a obrigar as empresas prestadoras de serviços externos de Saúde e Segurança no Trabalho a uma prestação cada vez mais séria e responsável", acrescenta Paula Amador.
"Uma instabilidade com a profundidade da que actualmente se vive, em crescendo, na economia e na sociedade provoca impactes não negligenciáveis na saúde da população laborai e na sua motivação/produtividade, num perigoso ciclo vicioso", admite, no entanto, João Vilarinho Santos, da Sagies. E explica este responsável que isso acontece com uma agregação de três factores ou origens adversos: stress pessoal e familiar por si só, stress relacionado com o trabalho e referida redução da vigilância
das condições ambientais de trabalho e da saúde dos trabalhadores que, por seu lado, tendem a reduzir a atenção na saúde pessoal. "Até podemos considerar natural, dado o impulso humano de sobrevivência mediata, esta reacção na degradação da função de Saúde Ocupacional com eliminação das boas práticas e o aparecimento de fenómenos como o facilitismo, o laxismo e a desregulação ou ausência da fiscalização", admite.
É neste contexto que Vilarinho Santos aponta a necessidade contrária ao impulso natural. "A função de Saúde Ocupacional, pela sua natureza preventiva, deve merecer um reforço em tempos de grande instabilidade e de grande exigência na eficiência na economia para sustentabilidade do nosso modelo, mesmo estabelecendo-o num nível de conforto alguns degraus abaixo da ambição