remessas para Portugal é bem mais remota do que a dos emigrantes do século XX e aponta para que muitos deles casem no estrangeiro, acabando por se radicar nos países que os acolherem. E o seu cosmopolitismo (são a geração Erasmus) facilita a sua integração fora de Portugal, pelo que o regresso motivado pelas saudades é provavelmente uma ideia romântica associada aos anteriores fluxos migratórios.
Em resumo, estes emigrantes altamente qualificados não enviarão remessas e acabarão por fazer a sua vida no estrangeiro. Ao contrário do que escreveu José Rodrigues Migueis, a estes não lhes nascem raízes nos pés, mas apenas dedos.
Rogério Carapuça, chairman da Novabase, diz não estar
muito preocupado com este movimento, desde que ele seja compensado pela vinda de jovens de outros países para trabalhar em Portugal. O problema é que não se vê como isso será feito. Que condições tem hoje o país para atrair jovens talentosos para viver e trabalhar por cá?
Não se descortinam. E se isso não acontecer, então estamos perante uma fuga de cérebros, que foram formados com dinheiro dos impostos dos portugueses, nas universidades portuguesas, por professores portugueses — e que irão aplicar esses conhecimentos ao serviço dos países para onde irão trabalhar.
O primeiro-ministro já tinha dito que só saímos desta crise empobrecendo. Agora seguem-se as recomendações para os jovens e professores emigrarem. Falta acrescentar que
daria jeito que os portugueses com mais de 65 anos morressem. Resolviam-se assim vários problemas que nos afligem: o desequilíbrio externo; o desemprego; e a sustentabilidade do sistema de segurança social. Uma receita própria da quadra que atravessamos: Jesus era pobre, emigrou e morreu jovem.
Excelente Natal para todos — porque ainda vamos ter muitas saudades do Natal de 2011.