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  • 2011-07-09 | Expresso

    Do 'polícia' da IBM aos espanhóis em Barajas


    São três casos contados na primeira pessoa. Lá fora começam por desconfiar da tecnologia portuguesa. Mas depois ficam adeptos.

    Luís Paulo Salvado diz que a Novabase vende o seu sistema na Líbia, Indonésia e Rússia, além de existir agora uma grande oportunidade no Egito. No Quénia dispõe de uma grande operação. Diz que a opinião que no exterior têm de nós não é sempre negativa. "No Japão não tivemos nenhum óbice. Eles não têm uma ideia negativa de nós, não pelos factos recentes mas pela nossa história. No centro da Europa, a opinião sobre nós é ultranegativa. E no Brasil assistimos a uma evolução muito positiva da perceção que fazem de nós. No Médio Oriente, a conotação também não é negativa". Mas Salvado reconhece que a primeira abordagem para vender uma marca portuguesa no estrangeiro não é fácil. "Os primeiros contactos são devastadores. Só ao quarto ou quinto contacto é que ganhamos o primeiro projeto. Mas a partir daí a marca deixa de ser importante". E conta uma experiência em que

    "passámos uma hora de reunião a pedir desculpa por sermos portugueses".

    António Murta recorda a experiência de ter trabalhado para um grande retalhista situado em Oxford Street. "Ganhei o concurso contra a IBM. Mas foram os meus sócios ingleses que fizeram os preços. Estabeleceram o triplo. Pensei que íamos perder. Afinal, quase perdi o concurso por ser exageradamente barato". As vicissitudes, contudo, não acabaram aí. "Fui obrigado a trabalhar dois meses com um 'polícia' da IBM a vigiar o que eu fazia. Ao fim de dois meses, o 'polícia' foi despedido e eu continuei".

    José Manuel Fernandes lembra uma situação por que passou a Frezite ainda no tempo em que havia fronteiras na Europa. "A nossa encomenda chegou ao aeroporto de

  • Barajas e os espanhóis não a queriam deixar seguir, porque diziam que os produtos eram produzidos na Alemanha".

    É talvez por isso que Luís Paulo Salvado considera que Portugal é "um laboratório excelente. Temos a dimensão certa para ensaiar soluções. E relativamente poucos protagonistas. No carro elétrico bastou meia dúzia de entidades entenderem-se. Podemos criar muitas coisas aqui e levá-las para o mundo. Mas temos de fazê-lo de uma forma organizada". António Murta corrobora e lembra que na lista de vinhos do "Wine Spectator" estão vários vinhos portugueses. "Isso aconteceu em 20 anos. Noutras indústrias podemos fazer o mesmo. O que falta é fazer o que tem de ser feito. E quanto mais tarde começarmos, pior".  
     
     

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