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  • 2011-11-01 | ComputerWorld 

    Cloud passou a ser tema de organização e processos


    O director de área de arquitectura técnica do Millennium bcp, Élio Ribeiro, considera que a adopção de uma cloud privada levou o banco a repensar a forma de atribuir equipamento a projectos.

    Em entrevista ao Computerworld, Élio Ribeiro explica que, face ao nível do domínio das tecnologias de cloud computing por parte dos fabricantes, a cloud "passou a ser tema de organização e processos".

    Segundo o director do Millennium bcp para a área de arquitectura técnica, o banco está a usar uma cloud privada para suportar as actividades de desenvolvimento desde Julho.

    O percurso de adopção de uma cloud privada permitiu ao banco reflectir sobre - e alterar - a forma como atribui servidores aos vários projectos.

    No início do corrente ano, a instituição financeira iniciou o projecto de implantação de uma cloud privada. Meses antes

    tinha começado o processo de selecção do fornecedor, com uma solicitação de propostas. Sete empresas concorreram e a proposta da PT (baseada em servidores Cisco) foi seleccionada. A Novabase foi então contratada pela PT para a implantação.

    A cloud envolve cerca de 220 máquinas virtuais.

    Apesar de privada, está alojada num dos centros de dados da PT, e o banco acede ao serviço de Infrastructure as a Service (laas) através de uma ligação de alto débito, com 1 GB de largura de banda.

    Com impacto nos processos de Tl do banco, o projecto nasce da necessidade de renovar o parque de mais uma centena de pequenos servidores que estavam atribuídos às

  • equipas de desenvolvimento e eram geridos por elas.

    Computerworld - Quais eram as necessidades da empresa para adoptar uma solução de cloud computing?

    Élio Ribeiro: Tínhamos um conjunto de 176 servidores fora do contrato com a IBM, iniciado em 2003, ligados ao suporte da área de desenvolvimento e testes. Era um ambiente gerido pelas próprias equipas de desenvolvimento, onde era necessário instalar e re-instalar frequentemente software e hardware. Eram máquinas que tínhamos no Taguspark e no Porto. Há muito tempo que iniciámos um processo de virtualização das nossas máquinas e como precisávamos de renovar algum equipamento de desenvolvimento decidimos virtualizar também essa infra-estrutura. Conseguimos, no fundo, uma maior flexibilidade

    para fornecer novos servidores. Mas nós também gostamos de perceber como podemos rentabilizar as tecnologias que vão aparecendo. E assim fizemos uma primeira abordagem de cloud computing. Até porque estávamos a falar de ambientes onde não se envolviam dados de clientes. Era o melhor piloto que poderíamos ter para ver como seriam os serviços de cloud.

    CW - O sector das TIC aponta sempre a área de desenvolvimento e testes como uma das mais propensas à utilização de cloud computing... 

    - Exactamente e portanto fizemos uma solicitação de propostas ao mercado. Acabámos por ficar surpreendidos com o número de empresas candidatas - sete - e com a qualidade das propostas. Mas, para nós, este não é só um

    tema tecnológico mas também organizativo e de processos. E o projecto foi uma oportunidade para repensarmos a forma como atribuímos o equipamento aos projectos. Contribuiu também para a maneira como fazemos a gestão do ciclo de vida dos equipamentos. Muitas vezes usam-se muitas coisas só para testes e mais nada. Havia a necessidade de perceber, de uma forma sistemática, a informação adequada sobre o nível de utilização dos servidores para fazer uma gestão eficiente da infra-estrutura.

    CW - Como é que isso foi alcançado? 

    ER - Outra parte importante era a do processo de aprovação da aquisição de um novo servidor, ao qual estava associado o processo de compra. A partir do

  • momento em que estamos numa cloud, na qual é muito rápido criar uma nova imagem de servidor, não podemos deixar isso ao livre arbítrio de um programador ou responsável de desenvolvimento. Precisávamos de um novo processo de aprovação e de responsabilização dos líderes de desenvolvimento e dos gestores de serviço de infraestrutura. Por isso, colocámos dois requisitos na solicitação de propostas: um "workflow" de aprovação e um sistema de relatório, capaz de nos permitir fazer o acompanhamento e perceber quanto tempo levou um servidor a ser criado, qual a utilização feita do mesmo, entre outras coisas. Era preciso um portal ou um painel de controlo onde isto fosse contemplado. Isso implicou normalizar ou estabelecer o que era uma máquina virtual em termos de configuração para o desenvolvimento. Muita da rapidez de disponibilização da imagem passa por não ter de

    inventar uma nova máquina virtual sempre que é necessária alguma.

    CW - Portanto, as imagens das máquinas são pré-definidas?

    ER - O prestador de serviço tem essa imagem definida e depois coloca-a a funcionar.

    CW - Então a cloud é privada mas...

    ER - Nós inicialmente equacionámos adoptar uma cloud pública, quando fizemos a solicitação de propostas. Mas no processo de negociação, análise técnica e financeira do serviço, e por proposta da PT, a infra-estrutura montada foi dedicada ao banco. E decidimos avançar para um contrato
    de cinco anos. Não foi um requisito inicial e não tem de ser assim para sempre... Se houver vantagens adicionais, especialmente financeiras em usar outra forma, podese mudar. Portanto, estamos a falar de uma cloud privada alojada. As máquinas estão nas instalações da PT e o serviço é integralmente realizado pelo operador. Fazemos apenas o acompanhamento e o processo de aprovação através do portal, e de reuniões periódicas com o fornecedor.

    CW - Quando tempo demorou o projecto a ser implantado?

    ER - Concluímos o processo de selecção há cerca de um ano. 0 serviço foi montado no início do ano. Fizemos um piloto de migração em finais de Fevereiro ou início de Março, e depois entrámos em processo de migração do que
  • tínhamos nas nossas instalações. E desde Julho estamos em produção.

    CW - Em termos de eficiência obtida até agora, que resultados pode partilhar?

    ER - De um processo de obtenção de um servidor, capaz de durar dois meses, passamos para outro no qual se demora algumas horas. 

    CW - Algumas horas significa quanto tempo, mais concretamente?

    ER - A parte mais rápida é a criação do servidor. 0 mais demorado é o nosso processo de aprovação. Mas também podem ser alguns minutos...

    CW - Pode explicar?

    ER - Se um programador precisa de um servidor, faz o pedido ao responsável do projecto onde trabalha. Este encaminha para o director para o desenvolvimento. Com o acordo deste último, o processo segue para aprovação do responsável da área de infra-estrutura. É ele que controla o orçamento, e precisa de poder cobrir o custo adicional. Apesar de estar considerado no contrato com a PT, precisamos de um controlo prévio. Se ultrapassar o orçamento destinado para a cloud, precisa da aprovação do CIO, Carlos Alves. Mas em casos urgentes podemos obter uma máquina virtual em meia hora. 

    CW - O serviço é cobrado por máquina virtual criada?
    ER - É por máquina virtual existente na cloud. Nós é que temos de dizer se queremos eliminar alguma. CW - É um modelo de pagamento por utilização ou "pay as you go", mas com algumas particularidades...

    ER - O "pay as you go" tem muito que se lhe diga. Começámos com um modelo simples e para já estamos muito contentes. Mas é outra área passível de evoluir e com o tempo podemos podemos conseguir algo mais fino.

    CW - O investimento inicial nas máquinas foi assumido pela PT ou pelo banco?

    ER - O risco de investimento é da PT mas temos um compromisso de serviço, de cinco anos, o que lhes permite amortizar o dinheiro investido.

RODAPÉ