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  • 2011-04-11 | OJE

    "Acredito na liderança pelo exemplo"


    Talento e inovação são as palavras-chave para um bom líder em novas tecnologias, diz Luís Paulo Salvado. O CEO da Novabase considera essencial saber encontrar o desafio certo para cada colaborador, premiando o mérito individual e, sobretudo, o colectivo. O que implica saber gerir as componentes de motivação e de cultura organizacional.

    Como define o seu estilo de liderança?

    Faço continuamente por conciliar as minhas características pessoais com as boas práticas de gestão e com o que a vida me tem ensinado. Em duas palavras, o meu estilo é o da aprendizagem permanente. Acredito na liderança pelo exemplo, promovendo características que considero importantes, como a integridade, a capacidade de trabalho em equipa, a inteligência emocional, a polivalência, a determinação, a automotivação. Tento nunca me esquecer de que não há um estilo de liderança ideal, mas sim estilos mais apropriados para cada situação ou fase da empresa: crescimento acelerado, consolidação, crise/emergência, etc. Esforço-me por aprender a aplicá-los de acordo com as várias situações. É muito difícil, mas muito desafiante e estimulante! Finalmente, tenho sempre em conta que só se é

    líder transitoriamente e o nosso desígnio último é formar e preparar novos líderes. Se forem melhores que nós, é sinal que fizemos um bom trabalho. 

    Há algum líder que tenha influenciado o seu percurso?

    Sim, imensos. Em cada pessoa existe um líder, pelo menos em potência. Todos são líderes em algum aspecto: de uma pequena equipa de trabalho na empresa, de opinião num grupo de amigos, da irmã mais nova em casa, etc. Por isso os líderes que mais me influenciam são os que estão mais próximos de mim, a começar pelos meus pais. O meu pai marcou-me muito no que diz respeito ao sentido do dever, da missão e da integridade. Já a minha mãe no lado dos afectos, da sensibilidade, da autoconfiança. Foi uma valiosa

  • herança que me ajuda a ser um líder melhor todos os dias. Aprendi também imenso com muitos amigos e colegas na Novabase pois, além de seres humanos fantásticos, são excelentes profissionais.

    Qual foi a sua maior conquista no cargo de líder?

    Dá-me um prazer especial falar do trabalho que temos feito na Novabase nos últimos dois anos, onde conseguimos conciliar os melhores resultados de sempre - numa altura especialmente difícil - com um trabalho profundo de transformação da empresa. Hoje temos uma nova visão, uma nova marca para comunicar, novos valores para a viver e até uma nova forma de trabalharmos em equipa. Esta nova visão foca-se nos benefícios para as pessoas e faz com que cada cliente passe a ser uma oportunidade

    para mudarmos a vida de milhares ou milhões de pessoas. É uma visão entusiasmante e empolgante.

    E o pior momento?

    Foi no início de 2002, com o rebentar da bolha tecnológica e o corte abrupto dos investimentos dos clientes nesta área. Ficámos, de um momento para o outro, com o trabalho reduzido a quase metade, o que foi dramático. Tivemos de lidar rapidamente com a situação e tomámos decisões muito difíceis, como dispensar colaboradores. Aproveitámos a oportunidade e fizemos uma reestruturação profunda, o que veio a revelar-se uma decisão acertada, pois nos anos seguintes crescemos bem acima do mercado.

    Um bom líder na área de novas tecnologias precisa de: 
     

    As palavras-chave são talento e inovação. Este é um negócio de pessoas e geri-lo é, na prática, gerir pessoas. Tal implica sabermos gerir muito bem as componentes de motivação e de cultura organizacional. Para a motivação é essencial sabermos encontrar o desafio certo para cada um e também assegurarmos a evolução permanente das pessoas em desafios cada vez mais exigentes. No lado da cultura, temos de criar o contexto adequado para premiar o mérito individual e, sobretudo, o colectivo, o que não é fácil. Por outro lado, a inovação é um estado de espírito, e consiste em nunca nos conformarmos com as soluções que temos. Não me refiro apenas à inovação de produto ou serviço, mas também a todos os outros tipos, como a inovação no modelo de negócio, no processo de entrega ao cliente, etc.
  • Quais os principais desafios que esta época de crise coloca a quem ocupa cargos de liderança?

    Liderar em tempos de crise é muito exigente. Implica conseguirmos controlar ainda melhor o risco sem retirarmos autonomia necessária à organização para que ela continue a ter liberdade para se continuar a desenvolver. Implica também tomarmos e executarmos decisões difíceis, sendo capazes de as comunicar para que sejam assumidas por todos. Tudo isto requer uma grande dose de realismo e a capacidade para enfrentarmos todo o tipo de situações, por mais complicadas que sejam. A comunicação é crítica e deverá ser o mais clara, abundante e transparente possível. E nunca nos devemos esquecer de que, por detrás de cada dificuldade, existe sempre uma ou mais oportunidades.

    Como avalia as empresas nacionais em termos de liderança estratégica?

    Nos últimos 15 anos tem emergido uma nova geração de gestores, que considero muito bem preparada do ponto de vista técnico. Para isso muito contribuíram os diversos programas de graduação e formação para executivos (como os MBA), e também uma mentalidade mais aberta e agressiva em muitas empresas, que foram campos férteis para estas pessoas treinarem e desenvolverem as suas competências. Há ainda trabalho a fazer, sobretudo nas componentes não técnicas, no domínio comportamental e da atitude, como a inteligência emocional e o empreendedorismo.

    Como vê o seu sector nos próximos anos?

    Este é um sector extremamente dinâmico e a tecnologia vai continuar a evoluir a grande ritmo, ocupando progressivamente um espaço cada vez maior na vida das pessoas. O maior desafio vai ser colocar toda essa capacidade ao serviço das pessoas, de forma a simplificarmos a sua vida - que hoje já é tão complicada! - e a criarmos benefícios reais, dos quais as pessoas possam efectivamente usufruir, não só do ponto de vista funcional, mas sobretudo emocional. A nova visão da Novabase está alinhada com este objectivo, e é por isso que estamos tão entusiasmados, pois sentimos que podemos dar um contributo para a construção de um futuro assim.

    Perfil do líder

    Licenciado em Engenharia de Sistemas e Computadores

  • pelo Instituto Superior Técnico, Luís Paulo Salvado começou a trabalhar durante o curso, experiência que considera preciosa. Complementou a formação com um MBA na Universidade Católica Portuguesa. Foi consultor e formador em várias empresas e instituições entre 1986 e 1994, ano em que entra para a Novabase como gestor de projectos.

    Dois anos depois é desafiado a lançar uma nova área, que viria a ser o primeiro spin-off da rede de empresas Novabase. Um dos grandes marcos do grupo deu-se em 2000, com a agregação de quase 20 empresas na Novabase e-Consulting, da qual é nomeado CEO. Na altura esta entidade representava 92% do negócio do grupo e abrangia mais de mil colaboradores. Luís Paulo Salvado desempenhou várias funções na empresa, desde chief executive officer (CEO) da Novabase e-Consulting a chief

    financial officer (CFO) ou chief human resources officer (CHRO) do grupo em 2007-2008.

    Em 2009 ocupa o cargo de CEO e assume a liderança da Novabase como um enorme desafio, numa atitude de permanente desafio à equipa para que se supere a si própria. O executivo tenta assumir o papel de coacher com as pessoas com quem trabalha, permitindo-lhes encontrar soluções e aprenderem com os resultados. Criou, por exemplo, o programa LeadingbyExample, vocacionado para identificar e desenvolver líderes na organização, que numa fase inicial está focado em preparar a gestão de topo.

    Ajudou a conceber e a implementar inovações como a Rede de Empresas Especialistas (que conduziu a companhia à liderança nacional do sector), ou a promover políticas

    internas de forte estímulo à investigação e desenvolvimento (I&D) - iniciativas que fizeram da Novabase a empresa que mais investe no País na sua área e a 6ª em todos os sectores.

    Entre os projectos inovadores, destaque para a primeira solução mundial de TV interactiva com tecnologia Microsoft, e a primeira solução contactless para múltiplos operadores de transportes numa grande região metropolitana, que passou, por exemplo, pela contribuição para o projecto Mobi-e, mobilidade inteligente (carro eléctrico).

    Em 2009-2010, Luís Paulo Salvado apostou na preparação da Novabase para a internacionalização, com uma nova visão, nova marca, valores renovados e uma nova estrutura e modelo de funcionamento.

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