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  • Diário Económico

    Revolução em marcha


    Aceitam-se apostas sobre como irá acabar a revolução que as Tecnologias de Informação (TI) estão a impor à indústria de conteúdos. Pressente-se que as notícias são preocupantes para os produtores e distribuidores tradicionais de conteúdos, mas desconhece-se ainda quem acabará por assegurar, no futuro, o controlo estratégico das mais poderosas plataformas globais de acesso ao mercado, colocando-nos em casa e no bolso as músicas, os livros e os filmes ao melhor preço.


    Por: Luís Paulo Salvado, CEO da Novabase

    A "guerra" está lançada e o primeiro embate verificou-se na área da música, com a indústria, ferida de morte pela pirataria informática, a render-se às mãos da Apple, um "outsider" vindo das TI que arrebanhou a maior fatia do negócio - o iTunes vende músicas a menos de um dólar - e cuja proposta surgiu como um mal menor, do tipo "a carteira ou a vida".


    O confronto mais feroz trava-se, agora, na indústria dos livros. Apesar de o mercado e-books ser ainda incipiente,
    a verdade é que está a crescer a um ritmo impressionante nos EUA (+127% em 2009) e deverá chegar a 25% do total em 2020.


    Daí que a Amazon, que detém 80% das vendas neste segmento, muito por força do Kindle, o dispositivo que

    faltava para a leitura dos 'e-books' (os visores dos telemóveis e dos portáteis são pequenos), tenha tentado monopolizar o mercado com vendas ao consumidor abaixo do custo, desferindo um frio xeque-mate às casas editoras.


    A estratégia da Amazon parece, no entanto, ter os dias contados, pois de novo a Apple entrou na corrida com o iPad e uma oferta de preços bem mais favorável para os editores, o que os levou a classificar aquele dispositivo como "The Jesus Tablet". Ninguém sabe como vai acabar esta refrega, até porque a Google também está na jogada com o Google Books (destinado a digitalizar, à revelia dos editores, todos os livros alguma vez publicados) e anuncia o Google Editions (uma loja online revolucionária para ebooks). De ciência certa sabe-se que a próxima "batalha" será na área do vídeo/DVD e que os 'players'

     
  • tradicionais de conteúdos dificilmente resistirão aos gigantes de TI. Por isso há já quem diga que os próximos alvos serão os próprios operadores de telecomunicações, dado que o valor estratégico está na plataforma que controla a distribuição universal de conteúdos e não no seu transporte. A conclusão é pois óbvia: a revolução está em marcha. Imparável...

     

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