Diário Económico
Redução do 'gap' científico
Já aqui deixei a minha convicção de que os próximos 20 anos podem ser muito mais prósperos do que as duas últimas décadas. Portugal pode vir a tirar bom partido das oportunidades criadas pela retoma económica.
Por: Luís Paulo Salvado, CEO da Novabase
Mas, se Portugal reúne condições específicas para enfrentar os novos paradigmas dos mercados globalizados - que vão desde a reconhecida abertura dos portugueses à inovação até à sofisticação de serviços tão importantes como a Banca ou os operadores de Telecomunicações - a verdade é que ainda lhe faltarão algumas valências para se poder assumir como um País ganhador. E não me refiro à sempre tão agitada questão da falta de planeamento, à tão badalada ausência da chamada linha estratégica de desenvolvimento, como se, neste mundo cada vez mais dinâmico e imprevisível, o planeamento centralizado fosse
a solução...
De facto, as valências de que carecemos situam-se mais ao nível das competência e das atitudes. Quer isto dizer que precisamos muito mais de 'enabling' potenciador de
competência ou de atitudes inovadoras do que de
um dirigismo controlador apostado em impor soluções pretensamente iluminadas.
Curiosamente, ficámos a conhecer por estes dias um bem sucedido exemplo deste 'enabling' potenciador: o aumento estrutural do nosso I&D e da capacidade científica.
Os dados revelados evidenciam que, através de um conjunto coerente e articulado de políticas, foi possível, em poucos anos, dobrar o n° de investigadores portugueses por mil trabalhadores e a percentagem do PIB investida em I&D, permitindo-nos ultrapassar países tradicionalmente
à nossa frente como a Itália, a Espanha e a Irlanda. Na base deste sucesso está uma visão clara sobre a necessidade de reduzir o gap científico nacional face aos países mais avançados, traduzido em políticas concretas