2011-06-09 | Diário Económico
Para uma vida melhor
A OCDE divulgou recentemente o 'Better Life Initiative', um projecto iniciado há dez anos e que pretende medir o bem-estar das sociedades com base num amplo conjunto de tópicos sobre as suas condições de vida, como a Educação, Saúde, Ambiente, Segurança, Satisfação com a Vida, entre outros.
Por: Luís Paulo Salvado, CEO da Novabase
O resultado é uma radiografia das sociedades mais nítida do que a traduzida através dos números do PIB e das estatísticas económicas, hoje claramente insuficientes para medir os níveis reais de desenvolvimento e bem-estar - físico e psicológico - dos países.
Dado o contexto em que nos encontramos não deixa de ser curioso olharmos para os resultados que Portugal obtém neste índice. Será que a frieza dos números do PIB estará a capturar todas as partes relevantes do nosso bem estar, nomeadamente as componentes mais psicológicas ou subjectivas do nosso desenvolvimento?
Infelizmente, também neste plano, o índice não nos traz boas notícias. Portugal fica abaixo da tabela e pontua muito debilmente em alguns indicadores fundamentais para o nosso
desenvolvimento futuro. A começar pela Educação, onde surgimos como um dos piores países do estudo. Em Portugal apenas 28% dos adultos entre os 25 e os 64 anos têm o ensino secundário ou equivalente, o pior valor de todos os países analisados e muito abaixo da média, que é de 73%. Na população mais jovem, um indicador ainda mais relevante para o futuro, o valor é de 47% para Portugal quando a média está em 80%. Face à importância da Educação na prosperidade futura de qualquer sociedade, parece-me óbvio dever ser esta a prioridade das nossas prioridades para os próximos anos.
Outra área que em Portugal surge numa posição frágil é a da Democracia e Governação. O principal sinal de alarme é o índice de participação eleitoral de64% contra 72% na OCDE. É um sinal que algo não está a funcionar bem, pois parece que