de luxo) e o aumento da carga fiscal, a par das enormes pressões para resultados (sustentados ou não),
a Motivação para práticas menos correctas de negócio vê-se também a aumentar.
Neste contexto, é fundamental para quem se preocupa com a temática da fraude (em combatê-la, claro está) ter em conta a dinâmica cultural, social e económica. Estes tempos tornam o factor 'Motivação' numa variável difícil de controlar, dadas as dificuldades generalizadas. Controlar variáveis macroeconómicas, especialmente no mundo intrincado e interdependente em que vivemos, torna-se numa tarefa quase impossível, mesmo se nos ativermos somente a um ambiente controlado como uma empresa. Assim, mais que nunca importa que o foco dos esforços
de combate à fraude seja colocado na mitigação do vértice
'Oportunidade', ou seja, em demonstrar que quem queira fazer fraude (tenha as melhores ou as piores Motivações para tal) corre um risco de ser apanhado que não compensa as possíveis recompensas de perpetrar o acto.
Fraude: Custos Afundados ou Investimento
Outro tópico que aproveito para abordar brevemente, tem
a ver com a noção de Dilema de Custos Afundados (http://en.wikipedia.org/wiki/Sunk_cost_dilemma) , que
na prática versa sobre casos em que já tendo havido um forte investimento de recursos num dado 'projecto' com más perspectivas de rentabilidade, se continua a investir
no mesmo na expectativa que a situação melhore. Este dilema tipicamente resulta em decisões do género 'já investimos tanto nisto que agora não podemos
simplesmente abandonar o investimento e enveredar por outro caminho'. Este dilema pode-se aplicar à temática do combate à fraude, com uma ligeira adaptação: assume-se em muitos casos que que x% da margem de uma dada actividade serão perdidos para fraude, erros ou abusos. Este 'pressuposto' leva ao pensamento de que
o investimento que se poderia fazer no combate a este tipo de fenómenos é desnecessário, visto já se ter assumido, prospectivamente, as perdas.
Este tipo de pensamento, por muito absurdo que possa parecer, está bem presente na cultura de muitas empresas, e mesmo de muitas culturas. Neste aspecto, mais uma vez, vê-se bem algumas diferenças essenciais entre, por exemplo, a cultura latina e a cultura anglo-saxónica. Atente-se ao seguinte excerto retirado de uma notícia no