Diário Económico
O Banco da Escola
Parece-me indiscutível que o banco decisivo para alavancar o progresso e a felicidade de um povo é o banco da escola Porque é nesse banco que os mais jovens, para além da aquisição dos conhecimentos curriculares, devem adquirir valores e treinar comportamentos fulcrais para
a consolidação de um espírito de cidadania cada vez mais determinante no desenvolvimento das sociedades.
Por: Luis Paulo Salvado, CEO da Novabase
No que diz respeito aos portugueses, cujas qualidades
e vantagens competitivas aqui tenho enaltecido, importará dizer que a questão da cidadania, nomeadamente na sua vertente de educação cívica, constitui uma lacuna evidente, um ponto fraco detectável há largas décadas na nossa vida colectiva, a reclamar uma aposta de fundo na educação/formação de cidadãos de corpo inteiro, capazes de conhecerem e maximizarem as suas potencialidades no respeito pelos outros e ao serviço da comunidade.
Dir-me-ão que a responsabilidade pela educação cívica deveria caber, em primeira linha, às famílias. Dir-vos-ei que a falência dessa opção é, infelizmente, uma evidência tão clara, que o recurso ao banco da escola se toma ainda mais urgente e inevitável.
É pois na escola que as nossas crianças devem aprender coisas tão elementares como respeitar os mais velhos, cumprir as leis ou reclamar os direitos devidos. Será ainda no banco da escola que os nossos jovens deverão treinar o trabalho em equipa de forma eficiente e eficaz, adquirindo e desenvolvendo competências específicas no domínio da inteligência emocional que lhes permitirão optimizar
o relacionamento com os outros e os resultados do desempenho dos grupos em que se inserirem ao longo da vida.
Repare-se que estamos a falar de coisas simples, algumas com mero valor simbólico, como respeitar o lugar numa fila ou não copiar num exame, mas ainda assim importantes para contextualizar o papel do indivíduo na sociedade, permitindo-lhe melhorar o desempenho individual