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  • Diário Económico

    Design Thinking
     

    Nas últimas décadas, o conhecimento humano tem-se multiplicado. Desde a ciência às artes, passando por todos os ramos do saber, o conhecimento tem vindo a alargar-se e a aprofundar-se. E cada especialista de hoje domina apenas uma área muito restrita.

    Por: Luís Paulo Salvado, CEO da Novabase

    Por outro lado, os problemas do mundo real foram-se tornando cada vez mais complexos e interdependentes. Mesmo as tradicionais fronteiras entre os negócios têm vindo a esbater-se, por vezes até a confundir.

     

    As telecomunicações, por exemplo, estão em curiosa "rota de colisão" com o sector do entretenimento, dado que os conteúdos são aquilo que efectivamente os clientes mais valorizam.Outros sectores como a banca, a energia ou o automóvel têm igualmente enormes desafios, fruto da combinação de inúmeras inovações tecnológicas com a evolução das preferências e hábitos de consumo de uma população cada vez mais exigente e informada.

     

    Estamos, pois, perante um paradoxo. De um lado vemos engrossar o batalhão dos hiper-especialistas e do outro

    temos um mundo cada vez mais carente de interdisciplinaridade, da capacidade de fundirmos e cruzarmos as fronteiras do nosso conhecimento.

     

    E aqui que surge o Design Thinking, o Hydrib Thinking ou o Design Management. Estas abordagens, variantes de uma mesma ideia, poderosa, pretendem precisamente combinar várias escolas de pensamento, para abordar a cada vez maior complexidade dos problemas dos nossos dias. E aplicam-se praticamente a tudo: desde a concepção de um novo produto ou serviço à redefinição de um negócio. Mais curioso ainda é que, para além da necessidade de equipas multidisciplinares, estas abordagens advogam igualmente pessoas "multidisciplinares". Um especialista financeiro simultaneamente realizador de clips musicais, por exemplo, ou um analista informático detentor de reputados prémios

  • culinários. Tudo isto traz-me à memória Robert A. Heinlein, um dos maiores escritores de sempre de ficção científica. Heinlein dizia que a especialização é para os insectos e que um ser humano, para ser completo, tinha que, entre muitas outras coisas, "ser capaz de mudar uma fralda, planear uma invasão, projectar um edifício, escrever um soneto, construir um muro, confortar os moribundos, resolver equações, programar um computador, cozinhar uma refeição saborosa, lutar eficientemente e morrer galantemente...".

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