2011-05-12 | Diário Económico
Da minha língua vê-se o mar
Portugal é territorialmente pequeno - é o 110° a nível mundial. Mas tudo muda quando consideramos também a chamada Zona Económica Exclusiva, que é 18 vezes maior.
Por: Luís Paulo Salvado, CEO da Novabase
Contabilizando-a, Portugal passa para 11° a nível mundial, sendo o terceiro país da UE com maior área de jurisdição marítima. Mas, se este é o presente, o futuro poderá ser muito mais interessante, caso venha a ser aprovado o pedido feito à ONU da extensão da plataforma continental portuguesa para cerca de 3,6 milhões de quilómetros quadrados (ou seja, mais do dobro do valor actual), um trabalho realizado pela equipa da Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPQ, liderada pelo Prof. Manuel Pinto de Abreu. O mar é, de facto, a "última fronteira" da Terra, e a sua importância é ainda maior para um país como o nosso, que não possui outros recursos naturais significativos. Aliás, foi precisamente quando a Europa se expandiu pelo mundo, através dos oceanos, que trouxe para casa riquezas até então nunca sonhadas.
As riquezas minerais no leito do oceano são reais (o estudo da EMEPC identificou nódulos ricos em manganês e crostas ricas em cobalto) e as indústrias farmacêutica e cosmética vêem nas profundezas marítimas um imenso potencial de património biológico para o desenvolvimento de novos produtos.
Por outro lado, a ligação de todo o projecto às universidades criou um 'know how' que pode vir a ser reutilizado em diversas outras situações. Tirando partido das suas condições ímpares, Portugal tem uma ocasião rara de mostrar capacidade técnica e metodológica, assumindo a liderança numa "nova era de Descobrimentos" através da agregação dos esforços do Estado, das empresas e das Universidades. Numa altura em que estamos todos preocupados com o nosso presente, é um