Diário Económico
Clicks vs. bricks
No final do século XX, muitos tecno-crentes acreditavam que os 'bits' iriam substituir os átomos em muitos domínios das nossas vidas. Prognosticava-se que em alguns sectores os então líderes teriam os dias contados, acossados pelos novos competidores do mundo online. Mais de uma década depois é altura de fazermos um balanço.
Por: Luís Paulo Salvado, CEO da Novabase
A Netflix, fundada em 1997, dedica-se ao aluguer de filmes e séries de TV descarregados pela internet (ou entregues por correio). O seu fundador criou-a motivado pela multa que pagou pela entrega tardia de um filme à Blockbuster. Em 2010, a Netflix ganhou 8 milhões de novos assinantes e a Blockbuster entrou em falência. A Borders, uma das maiores cadeias de livrarias norte-americanas com forte expansão internacional, sucumbiu à pressão da Amazon.
Por outro lado, o iTunes - e a pirataria - contribuíram para o encerramento de cadeias de lojas de discos como a Musicland e a TowerRecords.
Mais recentemente, o Congresso norteamericano encomendou um relatório para evitar a insolvência dos
correios nacionais - uma empresa com mais de meio milhão de empregados e com um prejuízo de oito milhares de milhões de dólares em 2010, isto é, quase 4% do PIB português.
As dificuldades sentidas pelos correios tradicionais - obrigados à prestação de um serviço universal sãouma consequência da massificação do e-mail e da transição para o online da comunicação entre empresas e clientes.
Estes exemplos permitem-nos concluir que, efectivamente, a internet teve um impacto avassalador nos negócios nos quais a informação é central. Os actuais líderes são as empresas criadas no paradigma dos 'clicks' que obliteraram as estratégias dos 'players' mais tradicionais, os chamados 'bricks'.