Diário Económico
A marca do nosso futuro
A Europa está doente. Como no quarto de um rei moribundo, vozes negras agoiram desmoronamento e desagregação a qualquer momento. Cenário possível? Sim. A crise financeira internacional só tornou insuportavelmente visível o que olhares mais atentos sabem há anos: o modelo europeu é agora, depois de 20 anos de rápida globalização, obsoleto e anacrónico.
Por: Luís Paulo Salvado, CEO da Novabase
A História foi sempre assim. O Egipto sucumbiu aos Romanos. Roma sucumbiu aos Bárbaros. O Oriente sucumbiu ao Ocidente. O modelo social europeu - que justamente admiramos e valorizamos - nasceu no pós-guerra, num contexto de 20 anos de 'baby boom' e parece agora impossível de sustentar. O par tóxico - o envelhecimento crescente e a protecção social dos europeus - está a minar a competitividade. E novas potências emergentes, sobretudo asiáticas, com populações mais jovens e modelos sociais menos protectores, avançam no mercado global.
Mas terá o rei de morrer? A Europa (e o Ocidente em geral) têm resistido, pela superioridade tecnológica e pelo valor das suas marcas. A China importa da Europa sobretudo tecnologia e produtos de "marca". A tecnologia importada
não é a de produtos de consumo(electrodomésticos, telemóveis, computadores, etc.), mas a necessária para montar fábricas cada vez mais sofisticadas.
E, pela aposta que todas estas potências emergentes têm vindo a fazer em I&D, esta necessidade chegará rapidamente ao fim. Restam-nos as marcas. Não é pouca coisa. Construir uma marca é mais do que um bom logotipo ou uma boa estratégia de comunicação. É muito, muito mais do que isso. E a capacidade de criar um universo de desejo. Um mundo de coisas, sonhos ou serviços que as pessoas simplesmente querem ter. Que as pessoas preferem sobre todas as outras. Criar uma marca significa sabermos exactamente o valor que queremos acrescentar e cumprirmos essa promessa de forma coerente e consistente.